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Artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso

Aldeia

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31 Jul 2006
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Portugal
Transcrição do artigo do médico psiquiatra Pedro Afonso, publicado no
Público

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas
esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo
epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da
Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No
último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença
psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas
perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com
impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,
urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das
crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens
infantilizados incapazes de construírem um projeto de vida, escravos
dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos
os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na
escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos
terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade
de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural
que assim seja, dado que a atual sociedade os inebria de direitos,
criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze
anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100
casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo
das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres
humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas
sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém
maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa,
deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos
ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de
alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez
mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os diretores insanos consideram que a presença
prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e
produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de
três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a
casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma
mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão
cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três
anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de
desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho
presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela
falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição
da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,
tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar
que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,
enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à
atividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e
complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de
escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando
já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal coletiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o
estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se
há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma
inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra



 
Registo
8 Out 2009
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Aldeia,

Excelente post sem dúvida, e não duvidando eu do pilar que representa a força humana numa empresa ou em qualquer relação interpessoal que seja,e não duvindando também, ATENÇÃO, à gravidade de certas e determinadas doenças do foro psicológico / psiquiátrico, resumo o palavreado lírico de psicologos e psiquiatras que, mesmo receosos nas palavras deles, de prescrever medicação, nas seguintes palavras:

NUNCA VI UM MALUCO A CAVAR DESALMADAMENTE COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ, só vejo malucos, para o que lhes convêm, apoiados pela força médica que ganha uma certa percentagem no que prescreve, a serem desculpados com o que quer que seja, quer roubem, matem, violem, ou simplesmente a continuarem a serem uns parasitas onde trabalham ou na sociedade onde se inserem.

Atenção que este POST não revela qualquer indignação, eu cá me governo com os meus, e não são poucos!!

Aquele Abraço!!


Marco Franco

Fantasma do Mato AlterII Turbo 88
Trovão Vermelho AlterII Turbo 94
Fera Troféu 89
 

I AM UMM

UMM
Registo
27 Jan 2009
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Apesar de ser um artigo de 2010...2 anos depois está na ordem do dia!

Partilho algumas das preocupações...principalmente as que se referem à conciliação trabalho família e à degradação generalizada das condições de vida da maior parte dos cidadãos deste país.

A meu ver muita da "insanidade" referida no artigo advém da relação que cada individuo tem com o trabalho (ou a falta deste)...o que me leva a pensar - malfadada revolução industrial que nos trouxe a ilusão de que a tecnologia chegaria para gerar riqueza suficiente para que a humanidade desfrutasse de uma vida mais prazerosa. Foi esse pressuposto que nos trouxe até aqui...

Na verdade, em cerca de 20 anos de trabalho, nunca assisti a tamanha esquizofrenia organizacional resultante da total ausência de alinhamento entre as palavras e as acções...não importa apenas evidenciar valores e princípios é necessário traduzi-los para as praticas de gestão e envolver todas as partes, porque todas são interessadas. Só assim é possível às organizações descortinar novos caminhos, novas soluções ao invés de implementar medidas avulso ao nível da redução de custos com as "suas" pessoas.

Os artigos deste médico psiquiatra...merecem ser prescritos ;)

cUMMprimentos,
 

raminiUMM

UMM
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15 Dez 2007
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Boas companheiros
O estado está obviamente no topo da lista de pacientes deste senhor!!!:D
Mas a cura deste país já não vai lá com prescrições de psiquiátricas, antes pelo contrário, entendo bem os remorsos deste e de outros senhores que contribuem e assistem à mais violenta das toxicodependências - "A toxicodependência socialmente aceite!"
Mais se eles não alimentarem a doença, vivem de quê?!!
E qual é o "feedback" que este Senhor tem ao publicar este tipo de artigos?!!Será que o número de pacientes no seu consultório diminuiu??!! Ou é uma grande jogada de marketing a seu favor??!!!

PS:Desculpem se fui demasiado tendencioso, mas tenho um caso na grave na familia e conheci alguns dos "DITOS" melhores PSIQUIATRAS do país, e nenhum me convenceu, até porque os resultados estão à vista e não são nada animadores passados 20 anos!!!
E ainda estão para aparecer os BIO-PSIQUIATRAS... ...DEus queira que se dissolvam com a água da chuva!!!
Abraços fortes
RaminiUMM
 

Eduardo Filipe

SupremUMM
Registo
5 Dez 2010
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Júpiter
quote:Originally posted by raminiUMM

Boas companheiros
O estado está obviamente é o paciente nº1 deste senhor!!!:D
Abraços fortes
RaminiUMM

Não sei se o homem aceita pagamento da consulta a perder de vista pelo nosso querido Estado que como sabemos paga tarde e a más horas...!!!

 
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