PMs respondidas. Desculpem a demora, mas estive ausente.
Foi um desabafo escrito no momento a seguir a ouvir, na televisão, as palavras do nosso primeiro-ministro.
Eu próprio não só andei a estudar, mas também a trabalhar por esse mundo fora. Não sou avesso a trabalhar no estrangeiro, bem pelo contrário. 60% de todo o meu tempo de trabalho foi realizado fora de Portugal e, mais de metade desse tempo, foi inclusive fora do continente europeu. Sei o que é, e sei que estou vocacionado para tal, mas isto não é transversal a toda a sociedade, pois há quem tenha medo de ir trabalhar na freguesia vizinha.
Já não estamos nas décadas de 60 e70 e já não se pode ir a salto. O acto de imigrar já não é para a velha Europa.
Mesmo assim, não somos tratados, fora da velha Europa, como tratamos os que cá chegam. Posso falar das situações que conheço e, peço que, passem pela delegação do SEF na Rua D. João IV, 536 no Porto ou no CNAI do Porto Rua do Pinheiro, n.º 9 (cimo das escadas do Largo Mompilher), onde podem vê-lo com os vossos próprios olhos. Acreditem que nunca fui tratado de tal forma, nem tão pouco a algo que se assemelhe.
O pedido do nosso primeiro-ministro já não necessita de harmonizar com o da Europa. Anda o coitado do comissário europeu do emprego e assuntos sociais, Lazlo Andor, a apelar aos países europeus que incentivem o emprego jovem e evitem a imigração de jovens qualificados para fora da Europa, enquanto que, simultaneamente, a contra-ciclo, anda o nosso primeiro-ministro a confirmar que não há esperança, que não consegue fazer nada, que não passa a pasta a outro e que a única solução é imigrar.
Sou, tendencialmente, social-democrata e, como homem de recursos humanos há mais de 20 anos, sou um fervoroso defensor da meritocracia. Sinto-me enganado. Considero que estes são tão mentirosos quantos os anteriores e não sei o que estes senhores andam por cá a fazer, nem tão pouco sei porque os mantemos.
Ainda agora ouvi, na RTP1, o Sr. secretário de estado ADJUNTO Carlos Moedas a dizer que as indemnizações por despedimento têm que passar para a média europeia, que se situa entre os 8 e os 12 dias por cada ano de trabalho, mesmo para os contratos antigos. Diz que vivemos num mundo global, que se não harmonizarmos com a Europa não vamos criar riqueza para criar postos de trabalho.
Até eu, que sou agnóstico, já digo Valha-me Deus! Ainda está em concertação social a passagem dos 30 para os 20 dias por ano de indemnização, e já está este illuminati a dizer que até Março temos que harmonizar com a Europa. O que não vai acontecer NUNCA. Inclusive, o que vamos manter a alguns anos luz de distância é o valor dos salários pagos.
JÁ SEI. VOU DESLIGAR A TELEVISÃO.
Abc
Pedro Vouga