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Aventura é dar a Volta a África em UMM

ummfly

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30 Mar 2006
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Uma grande aventura a não perder, não fosse o principal protagonista um UMM.



Podem acompanhar a mesma na página dos aventureiros em https://www.facebook.com/voltaafrica/https://www.facebook.com/voltaafrica/

Aqui um primeiro artigo do inicio desta aventura que arrancou hoje do Jornalista Alexandre Correia da Revista Todo Terreno, onde podem ler a reportagem original em https://revistatt.pt/https://revistatt.pt/.

Aqui fica uma cópia desta mesma reportagem:

Aventura é dar a Volta a África em UMM


FABRICADO EM 1990, ESTE UMM ALTER II ESTEVE AO SERVIÇO NA GNR. E ESTÁ HOJE MESMO A ENTRAR EM MARROCOS, PARA UMA MARATONA DE TRÊS MESES, A DAR A VOLTA A ÁFRICA.

O projecto já não é de hoje. E reflecte a determinação de Victor Moniz em concretizar o sonho de ligar Lisboa a Luanda de moto. Começou a viagem na Primavera de 2017, mas ficou na fronteira da Nigéria. Mais tarde, já com novos companheiros, uma queda deixou-o na Nigéria; dentro de um mês espera arrancar pela terceira vez. Ao encontro de Victor Moniz, sairam ontem de Lisboa Hélio Rodrigues e Daniel Amaro. Para estes dois aventureiros, aventura é dar a Volta a África em UMM: conduzem um Alter II de 70 cv, produzido em 1990 para a frota da Guarda Nacional Republicana. E contam que em seis meses atravessem todo o continente africano. De norte a sul e vice-versa!

Quando dizemos que aventura é dar a Volta a África em UMM, temos consciência que Hélio Rodrigues e Daniel Amaro têm um enorme desafio pela frente. E não tanto pelos cerca de 40.000 quilómetros que estimam percorrer em 180 dias. Nem sequer porque irão enfrentar inúmeras etapas onde o desconhecimento será total. O que vai marcar mesmo esta aventura é o facto de a empreenderem com um clássico do todo terreno…

O UMM Alter II que Victor Moniz comprou para que os seus companheiros vão ao seu encontro até à Nigéria é um “veterano” da Guarda Nacional Republicana. Se fosse um militar, que tivesse entrado como “Praça”, no mínimo teria passado à disponibilidade como Primeiro Sargento. Mas trata-se apenas de uma viatura; foi recebida em 1990 com meia-dúzia de quilómetros, percorridos entre a fábrica da UMM e os parques de estacionamento e preparação para entrega. E volvidos estes 29 anos, já não está ao serviço da GNR, mas o odómetro marca um pouco mais de 277 mil quilómetros.

Terceira fase de um projecto cheio de determinação


COM 277 MIL QUILÓMETROS PERCORRIDOS EM PATRULHAS, COM A GUARDA NACIONAL REPUBLICANA, ESTE UMM ALTER II DE 70 CV DESEMBARCA AINDA ESTA MANHÃ EM TÂNGER, PARA INICIAR UMA LONGA VOLTA A ÁFRICA

Na primeira abordagem desta viagem, em 2017, Victor Moniz usou com veículo de apoio um Dacia Duster 1.5Dci. E o carro arrancou para África tal como, uns dias antes da partida, tinha saído do stand: absolutamente de série. Nem os pneus de estrada trocou. E se insistimos imenso em que o fizesse, a verdade é que o Dacia chegou ao Benin sem nunca ter sofrido sequer um furo. Uns meses depois, ao tentar retomar o percurso, Moniz fez integrar no seu projecto dois jovens que tinham o seu próprio plano. Partiram num velho Land Rover Discovery para dar a Volta a África e de caminho, Tiago e Gabriel encontraram Victor no Benin. Mas uma queda já na Nigéria impediu Victor de prosseguir…

“O projecto só ficará completo quando conseguir chegar a Luanda aos comandos da minha Yamaha Ténéré”, garantiu à Todo Terreno este português da Anadia, que reside em Angola há vários anos. “Mal tinha recomeçado a viagem, quando cai devido a uma distracção, em Lagos. A moto nada sofreu, mas eu sim. E tive de ser evacuado, para tratamento às lesões num pé”, recorda Victor Moniz.

Passados dois anos sobre a segunda interrupção, a viagem vai recomeçar com a terceira tentativa. “E quero acreditar que seja como o ditado popular, ou seja, que à terceira será de vez!” – diz-nos, confiante, Victor Moniz.

Usar um “clássico” como o UMM aumenta o desafio


COMPLETAR A VIAGEM LISBOA-LUANDA TENDO COMO VEÍCULO DE APOIO UM CARRO EMBLEMÁTICO DE FABRICO PORTUGUÊS FAZ PARTE DO SONHO DE VICTOR MONIZ. DEPOIS DA ESCALA EM ANGOLA, O UMM IRÁ PROSSEGUIR ATÉ À ÁFRICA DO SUL E DEPOIS REGRESSA À EUROPA PELA COSTA ORIENTAL AFRICANA…

“A escolha do UMM como novo veículo de apoio reflecte o meu desejo de homenagear a marca portuguesa”, justifica o responsável pelo projecto da Volta a África. “Os UMM tornaram-se lendários desde que foram correr o Rali Dakar e terminaram sempre. Isso fez-me pensar que um UMM também pode aguentar uma maratona como esta viagem”, tanto mais que o ritmo não será o da corrida.

Este UMM Alter II, com motor diesel Peugeot de quatro cilindros em linha e 2,5 litros, tem apenas 70 cv de potência. Mas dispõe de tracção integral inserível e caixa de transferências com relações longas e curtas. Mesmo com uma potência mínima, sempre foi uma máquina a vencer obstáculos. E o percurso prevê-se rolante. Daí que, embora Victor Moniz considere que “usar um clássico como o UMM aumenta o desafio”, não tem dúvidas em como “o carro vai chegar ao fim!”

Dar o exemplo aos candidatos a aventureiros

Victor Moniz pretende também dar um exemplo aos candidatos a aventureiros. “Para cumprir um sonho como este, não temos de ser milionários”, avisa. “Entre a aquisição e a revisão geral que mandei fazer até estar pronto para partir África abaixo, os gastos foram reduzidos”, adianta: “Não gastei mais de 7000 euros e conto que quando a viagem terminar, ainda tenha carro para andar!”

Quanto à preparação, Moniz revela que “nem isso lhe podemos chamar. Apenas me preocupei em verificar todos os órgãos essenciais e confirmar que tudo está a funcionar devidamente. Chegar a Luanda será uma vitória tão impactante quanto o foi em 1982 para a UMM, conseguir terminar o Rali Dakar”, considera o aventureiro.

A revista Todo Terreno é parceira desta aventura desde o primeiro momento. E prometemos ir dando conta do evoluir da viagem!


A REVISTA TODO TERRENO É UM DOS PARCEIROS DA VOLTA A ÁFRICA. E VAMOS ACOMPANHAR A EXPEDIÇÃO DE VICTOR MONIZ, HÉLIO RODRIGUES E DANIEL AMARO. A MEMÓRIA DE JOSÉ MEGRE TAMBÉM ESTÁ PRESENTE, PORQUE AVENTURA É DAR A VOLTA A ÁFRICA EM UMM!

Texto: Alexandre Correia
Fotos: Hélio Rodrigues/Volta a África

 

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Abordar África com a travessia do Sahara



Os primeiros seis dias já estão vencidos. E se pensarmos que o projecto desta Volta a África implica viajar durante seis meses, a viagem praticamente ainda nem começou. Hélio Rodrigues e
Daniel Amaro já levaram o UMM Alter II através de Marrocos, o primeiro dos inúmeros países previsto atravessar, nesta Volta a África. Inevitavelmente, tiveram de abordar África com a travessia do Sahara: a única fronteira terrestre que permanece aberta e permite a ligação norte-sul, é a que separa Marrocos da Mauritânia…

Hélio Rodrigues tem meio mundo viajado. Mas, curiosamente, a experiência em África é ainda reduzida. Já tinha estado em Marrocos, pelo que esta fase inicial da viagem foi, em parte, uma repetição. E dizemos em parte porque nunca tinha ido tão ao sul. Mas fê-lo com toda a tranquilidade, sem enganos. Até porque se tomarmos a estrada que cruza o Sahara, no seu sector mais ocidental, não há como enganar. Porque apenas existe uma estrada!

Desde Lisboa, onde partiram há uma semana, até Tânger, porta de entrada da primeira escala africana, o UMM Alter II dos dois aventureiros percorreram facilmente os cerca de 700 quilómetros. Portugal e Espanha foram, pois, atravessados numa única e breve jornada. Já a passagem em Marrocos, que cruzaram de norte a sul, implicou cinco dias bem medidos.


DE GUELMIN A TAN-TAN, ENTRANDO NO TERRITÓRIO QUE DURANTE POUCO MAIS DE MEIO DE SÉCULO ESTEVE SOB DOMÍNIO ESPANHOL, A ESTRADA SERPENTEIA ENTRE MONTES E VALES. É VERDADEIRAMENTE O LIMITE NORTE DO SAHARA OCIDENTAL

Um café em Tan-Tan, à entrada do Sahara…
A primeira jornada marroquina foi sobretudo passada em Casablanca, onde os expedicionários se demoraram longas horas na visita às instalações da filial local da Sika. Trata-se de um dos patrocinadores do projecto Volta a África. Esta companhia suíça, com um século de actividade, é especialista de produtos e soluções químicas para a construção civil e indústria, onde se conta a automotriz: a Sika fornece a indústria automóvel com material para colagem, selagem, reforço e protecção de componentes, além de ser líder nos produtos de amortecimento acústico. As “pastas” criadas pela Sika são fundamentais, por exemplo, para isolar as carroçarias e assegurar o silêncio no habitáculo dos automóveis!

Depois, foi preciso recuperar terreno. E o UMM Alter II avançou até Guelmin, onde em 1956, ano da independência de Marrocos, estava fixado o limite sul do Protectorado Francês! Dali em diante, para sul, estende-se o Sahara…


APÓS A ENTRADA NO TERRITÓRIO DO SAHARA, A PRIMEIRA PARAGEM FOI LOGO NA PRIMEIRA CIDADE: TAN-TAN. A PAUSA PARA UM CAFÉ FOI BEM MERECIDA!
Até Janeiro de 1976, todo este sector ocidental do Sahara era administrado por Espanha, que terá mesmo comprado o território ao chefe de uma tribo berbere; isso passou-se no final do século XIX. Tan-Tan, a primeira cidade que encontramos ao descer o Sahara Ocidental, depois de sairmos de Guelmin, não passava, nos tempos coloniais, de um posto de controlo militar. Hélio e Daniel pararam em Tan-Tan para descansar um pouco, sentados numa das esplanadas do centro da cidade.

Através de cenário do “Dakar” e do África Eco Race
Nas últimas edições africanas do Rali Dakar, Tan-Tan foi o ponto de partida da última etapa marroquina; porque a caravana do “Dakar”, ao contrário do que hoje sucede com o Africa Eco Race, entrava na Mauritânia, pelo norte, onde não há sequer fronteira. Mas os viajantes, como os companheiros de Victor Moniz nesta fase do projecto da Volta a África, não têm como fugir à passagem pela fronteira.

Calcula-se que cerca de 350 milhares de civis forçaram a passagem nessa fronteira, invadindo a colónia espanhola munidos apenas de bandeiras de Marrocos. Em questão de dias, o jovem Juan Carlos de Espanha, que ainda nem tinha sido aclamado Rei, sentiu que a retirada do Sahara era irreversível. E estabeleceu um acordo com as autoridades marroquinas e mauritanas, para estas partilhassem a administração do Sahara Ocidental, que então tinha capital em Laâyoune.

Uma vintena de quilómetros depois de Tan-Tan, a Route N1, a estrada nacional que desce todo o Sahara até à fronteira mauritana, encontra-se com o Atlântico. E daí em diante, são raros os troços em que o mar não é avistado da estrada. Um deles é depois de Tarfaya, onde a partir do Cabo Juby, a estrada inflecte para o interior, até Laâyoune. Tarfaya era o ponto da última fronteira com o Sahara espanhol, quando o território foi alvo da invasão pacífica, em finais de Novembro de 1975.


PARAGEM PARA MAIS UM CAFÉ, EM TARFAYA, A PEQUENA CIDADE CONSTRUÍDA JUNTO AO CABO JUBY FICOU CÉLEBRE DESDE OS ANOS DE 1920 PELA PISTA DE AVIAÇÃO, QUE REGULARMENTE RECEBIA OS PIONEIROS DA AEROPOSTALE, O CORREIO AÉREO FRANCÊS
Percurso histórico num veículo histórico
Após mais uma paragem, também num café, em Tarfaya, Hélio e Daniel prosseguiram até Laâyoune, numa jornada que completaram pouco mais adiante, na vila onde está instalado o porto da cidade. E é sensivelmente nas imediações de Laâyoune Port que a Route N1 volta a aproximar-se do oceano.

Percorrer um itinerário como este, tão carregado de história, num veículo igualmente histórico, obriga a imprimir um ritmo de passeio. O UMM Alter II, com os seus 29 anos, tem os seus limites bem marcados. E um deles é nunca rolar a fundo, sobretudo nestas paragens do deserto, com rectas intermináveis e onde as temperaturas durante o dia podem ser elevadas.

Esta primeira jornada no Sahara terminou com os expedicionários a avistar o pôr-do-sol meia-dúzia de quilómetros a norte de Laâyoune Port, numa praia que se tornou em forte atracção local. O motivo de atracção é um pesqueiro encalhado mesmo em frente à praia. O naufrágio ocorreu quase uma década; e a posição em que o navio se encontra, mesmo apontado de frente à praia, explica porque ainda não foi destruído pela força das ondas.



BOA PARTE DO PERCURSO ATRAVÉS DO SAHARA OCIDENTAL FAZ-SE A ESPREITAR O ATLÂNTICO. E SÓ RARAMENTE A ESTRADA PASSA JUNTO A PRAIAS, POIS QUASE SEMPRE VEMOS O MAR DESDE O ALTO DE PROFUNDAS ESCARPAS…

Entre as duas antigas capitais do Sahara Espanhol
Este sábado, o UMM Alter II já chegou bem mais a sul, até à última cidade marroquina, antes da fronteira com a Mauritânia. Hoje chama-se Dakhla, mas originalmente era a Villa Cisneros e foi a primeira capital da colónia espanhola. Era também uma escala importante para os pioneiros da aviação, na rotas pelo norte de África. Até a portuguesa TAP operou em Villa Cisneros nos seus primórdios: os famosos “Dakota” da Linha Imperial, que ligavam Lisboa a Luanda e Lourenço Marques, faziam escala nesta pista, entre a paragem em Casablanca e em Dakar.

Instalada na ponta de uma singular península, a cidade de Dakhla chegou até a ser, por escassos anos, uma cidade mauritana. As ofensivas da guerrilha local, a Frente Polisário, fustigaram de tal modo a Mauritânia, que este país acabou por retirar-se do território. Na busca de paz e protecção, a Mauritânia entregou a Marrocos a sua metade do antigo Sahara Espanhol. Mas isso não significou totalmente a paz, pois a região permanece sob observação das Nações Unidas, que opera nestas paragens uma das suas missões mais duradouras: a MINURSO, acrónimo de Missão das Nações Unidas para o Referendo do Sahara Ocidental. Enquanto a população local não decidir em referendo se pretende a auto-determinação, ou a integração marroquina, as Nações Unidas não aceitam o acordo celebrado, ainda em 1975, entre Marrocos e Espanha.

Últimos quilómetros em Marrocos, até à fronteira

HÉLIO RODRIGUES, JUNTO AO UMM ALTER II DA VOLTA A ÁFRICA, DIANTE DE UM PAINEL DA ESTRADA TRANSAHARIANA, À SAÍDA DE TARFAYA. UM DIA DEPOIS, JÁ TINHAM CHEGADA A DAKHLA…

A jornada deste sábado, 19 de Outubro, concluiu-se com a chegada a Dakhla. Antes de entrarem na cidade, Hélio e Daniel não resistiram a um desvio ao asfalto. Primeiro, para fazerem o UMM Alter II rolar nas pistas de areia compacta que partem desde a estrada até um conjunto de aldeias piscatórias. Depois, o UMM aventurou-se pela areia da praia da baia mais abrigada, à entrada de Dakhla, que é hoje um destino paradisíaco para os adeptos do kitesurf.

Para este domingo, restavam cerca de meio milhar de quilómetros até à fronteira com a Mauritânia. Para a despedida de Marrocos, ficou uma das etapas em o isolamento mais se faz sentir. E para quebrar esse isolamento, a paragem no “Barbas”, o hotel-restaurante e estação de serviço que todos os viajantes nestas paragens conhecem. Fica a uma hora de caminho da fronteira, depois da passagem pelo Trópico de Câncer. Dentro de uma semana, voltaremos ao contacto, com mais novas histórias desta Volta a África!


À ENTRADA DE DAKHLA, JUNTO À PRAIA QUE SE TORNOU NUM PARAÍSO PARA OS PRATICANTES DE KITSURF. PARA O UMM ALTER II, FORAM OS PRIMEIROS METROS EM AREIA, DEPOIS DE ABORDAR ÁFRICA COM A TRAVESSIA DO SAHARA


Texto: Alexandre Correia
Fotos: Hélio Rodrigues e Daniel Amaro/Volta a África



 
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